Trinta Livros, um Ano

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Hotel

Senhoras e senhores, sinto prazer em anunciar o fim do "Trinta Livros, Um Ano".
Não, jamais abandonaria os blogs! Apenas vou mudar...
Vou criar "O Hotel", que, por enquanto, não terá apresentações. Apenas digo que será um lugar para descanso, onde as histórias, os textos e os autores poderão descansar, usufruir da nossa comodidade, e, é claro, ficar por quanto tempo quiserem.
Em breve, portanto, O Hotel entrará em funcionamento.
Gratos pela preferência.
(recado: para quem não sabe ainda, fiquei afastada do blog por causa do teatro. acabamos fazendo uma 'temporada', então demorei mais do que o previsto. Mas, bons resultados: fomos eleitos o grupo representante do teatro estudantil da minha cidade e região! além disso, apresentamo-nos na mostra paralela do festival nacional de teatro de piracicaba!)

domingo, 8 de novembro de 2009

{ele}


Beijou-lhe os olhos num ato de extrema fragilidade, um átimo de segundo e tudo estaria arruinado. Foi uma entrega cega de quem fecha os olhos e confia, sem orar ao Deus ou calar um grito de ansiedade angustiante - foi um beijo leve como as asas de uma borboleta. Frágil como cristal, o orvalho da flor, leve como o pé da moça que dorme. Fechou os olhos e entregou sua visão de mundo aos lábios dele. Uma imagem não valia mil palavras que nunca valeriam uma imagem - o sentir-sem-pensar era maior, muito maior. Foi um beijo de lábios calados em olhos cegos.

domingo, 1 de novembro de 2009

{ela}

A rosa amarela parada, inerte, nova; Nova como o ferimento no dedo. Se não fossem os espinhos no cabo, seria perfeita. Mentia, era perfeita dp jeito que era - as pétalas delicadas, compostas em perfeita maciez, o cabo longo, esguio, com os espinhos que feriam para proteger a aparente fragilidade de quem é forte. Era uma simples flor, que fazia brotarem borboletas no estômago e sentia-se leve, leve como as asas da fada que voa. E era só uma flor. A bela, parada, inconstante, passional, rosa amarela.


Sim, rosas amarelas são minhas flores preferidas. Por que, de repente, eu desandei a escrever sobre elas? Não me faça perguntas que eu não sei a resposta. Obrigada. ♥

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Eu te amo, amo amo. Eu te amo, eu te amo, amo. Amo tanto!

Tanta alegria não cabia dentro de seus braços, suas pernas, sua barriga - aquilo extravassava os seus limites e refletia brilhante no sorriso de seu olhar. Amavam e queriam mais nada, no resto se dava um jeito. Sempre, no resto se dava um jeito.
Sim, ela pertencia a ele - e essa passividade de ser dele era somente equilibrada por ele, igualmente, pertencer a ela. Haviam se algemado por vontade própria, e essa prisão era a maior liberdade que eles desejavam. Estarem sentados lado a lado, sentindo a respiração um do outro, abraçados, entrelaçados; Não se sentiam como um só ser, mas como duas pessoas na mais íntima das ligações. Como se a vida toda tivessem esperado por isso. Para se conhecerem, mudarem-se e amarem-se. Esse sentimento tão intenso que era o mais verdadeiro que já haviam sentido.
-Eu sou sua, e a cada dia sou mais você do que eu mesma. Porque você me tem à mim, e é só tudo o que eu quero. Ser mais eu do que você o é e ser sempre sua. -Ela parou por um momento- Não, isso fazia mais sentido na minha cabeça.
-Para mim está claro. E você é tão minha quanto nunca foi e eu spu seu como nunca mais serei, pois a cada dia me entrego mais a você, pelo simples fato de você se dar à mim tão linda, cega e completamente. Por isso eu digo que te amo.
-Diz?
-Porque o que eu sinto é muito maior que isso.
-E, assim, eu também digo que te amo.

domingo, 18 de outubro de 2009

A Rosa Amarela

Não sei o que deu em mim, mas eu quero escrever algumas verdades hoje. Como se fosse a página de um diário. Peço que não deixem suas mentes em branco. Gosto da associação, da lembrança, da mensagem. Toda opinião é válida e aceita. Aliás, fico grata.
Eu queria usar esse espaço para elogiar o Rafa ( somesentido.blogspot.com ), porque ele é um gênio. Escreve obras de arte que eu admiro. Baby, eu deliro. é incrível, poesia pura. É meio decadente, delirante. Uma crítica incessável à tudo que eu conheço. É poético, passional, pulsante. Ele dá forma às palavras e o que sai é vida moldada em letras. Recomendo, amo, adoro. Baby, eu deliro.
Também queria falar da Lina ( infinitemelodie.blogspot.com ). Ela é romântica, sensível, única na sua qualidade única de ser. Nunca vi alguém sentir tanto, amar tanto. Eu quero ser que nem ela. É sério. Escreve lindamente, é incrívelmente bonita, e ama. Céus, como essa menina ama! Todos os textos dela exalam amor e sentimento e flor da pele. Flor da pele não é bem uma coisa, uma característica, um adjetivo, mas me pareceu perfeito. Adoro ela. Demais!
Existem muitos outros amigos de blog meus, uns distantes, outros perto, uns que vem de vez em quando, outros sempre, outros nunca. Eu amo todos, mas hoje eu precisava falar desses dois, só. Mas eu garanto que amo todos!
Bom, agora sobre mim. Fatos que eu acredito nunca ter contado: Sou vegetariana. Não gosto de comer carne, e é isso. Não que o fato de matar animais vá me ajudar a desistir disso; Acho a língua portuguesa - com sotaque brasileiro - a língua mais linda do mundo. Italiano? Inglês? Esqueçam! Português. Sonoro, poético, lindo; Eu amo os Beatles. A melhor banda que já ouvi. Incríveis! Eu não vivo sem eles; Eu comecei a ter aulas de violão, acho muito lindo; Tenho vários apelidos: meus amigos do teatro me chamam de Lubas, em casa eu sou Xubis (o original era Xuxu, mas Xubis é a variação mais comum. Tem também Xucrute, Xuiza, Xubis Ubis...); Eu amo demais; Quero mandar uma carta para meu ex-namorado, nunca devia ter terminado com ele; Eu odeio fazer a unha; Eu não sei cantar, é sério. Minha maior fama é a de desafinada; Minha segunda maior fama é a de ser péssima dançarina. Admito, a mais pura verdade. Exceto pela valsa e pela música dos anos 60 e cia; Eu posto muito pouco no blog porque eu não gosto do que escrevo ou das resenhas que faço. Mas eu amo esse carinho entre um blogueiro e outro e amo ter quem leia essas coisas inúteis que eu escrevo. Gosto disso.
Enfim, um post inútil sobre coisas inúteis...
A rosa amarela? Nunca fui fã de rosas, muito menos as amarelas. Hoje, são minhas flores preferidas. Rosas amarelas representam o amor eterno. E são lindas de se olhar.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O 30º Livro!

Sim, eu demorei. Demorei porque, esse livro em especial, tinha seu próprio ritmo, que não podia - nem devia- ser alterado (como todos os livros, admitamos). Além do mais, eu sabia que tinha tempo, pois era o último livro da minha 'missão' - mas continuarei lendo e postando aqui, é claro. O trigésimo livro deste ano e deste blog foi "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres", de Clarice Lispector.
Eu sei que não sou a única a compartilhar a paixão por essa autora. Ela é incrível e esse é um dos meus livros favoritos. Só que eu acho difícil falar sobre Clarice Lispector: ela é muito subjetiva. Ás vezes eu entro em discussão com um amigo meu sobre o que ela quis dizer em tal parte ou parágrafo. Entrementes, nós dois concordamos que ela é ótima.
"Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres" começa já no meio da história - que, de fato, é o começo da história. O livro conta a história de Lóri, uma mulher comum. Lóri conhece, um dia entre os dias, Ulisses, um professor de filosofia que quer ensinar à ela, não filosofia, mas a arte da vida através do prazer e da alegria. E, dessa forma, começam os encontros entre os dois e a passagem de Lóri de pessoa para ser-que-pensa-e-sente.
Uma palavra marca muito esse livro, na minha opinião. A palavra é: plenitude. Esse é um livro que apesar dos momentos de revolta e de dor, exala plenitude em todas as páginas. Começa devagar. depois piora um pouco. Até que chega o final, que não é, de fato, o final. O final do livro é um começo de uma nova vida para Lóri. E, não, não acho que contar isso seja o final. Quando se fala em Clarice Lispector, estamos falando de transformações, surpresas, a fuga do óbvio. E dizer que Lóri era outra ao final do livro é um mero detalhe - que talvez faça toda a diferença. Vai saber.
Clarice Lispector se tornou um ícone na literatura. Além de ser mulher, ousava na escrita: escrevia sem estilo. Não há um padrão a ser seguido, o livro é puramente: Clarice Lispector. Ela era uma escritora que sabia falar de emoções e de mulheres, na minha mais humilde opinião.
Recomendo a todos que tiverem tempo e que estejam dispostos a pensar um pouco mais na vida e na existência. E no coração.

-Vou parar por aqui, porque falar de C.L. é uma viagem enorme, que é muito mais forte do que eu.

Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, de Clarice Lispector.
Editora Nova Fronteira.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Amor...adeus."

"Amor,
Sinto dizer que não posso te ver mais. Irônico, não? Começar uma carta de adeus com a palavra amor.
A verdade é que eu ainda te amo, mas existem coisas mais importantes que isso. Coisas que você, pobre apaixonado descabido, não entenderia. Mas saiba que os motivos para ainda amar você são esse teu cabelo macio, os teus olhos escuros, a tua boca fina, o teu nariz reto - que, a propósito, é uma das coisas mais bonitas num homem: o nariz reto. Mostra uma seriedade que só é compensada por causa de uma beleza indecifrável no teu rosto...acho que são teus olhos. Sim, deve ser teus olhos.
Sempre gostei de olhar nos teus olhos, mas me dava medo. Sempre que deixava te olhar nos meus, sentia que você via além deles, via atráves do meu corpo. Acredito que você conhecia as curvas da minha alma tão bem quanto as curvas do meu ser. É assustador ser tão transparente. Mas ainda não é por isso que eu estou te deixando. Quero adiar o momento da despedida mais um pouco...(chame isso de tortura se quiser, eu chamo de..nada, na verdade. Só angústia por ter de me separar de você).
Sabe, eu gostava de sentir teu braço na minha cintura. Sempre me puxando para perto, mais perto...Gostava da tua presença. Uma vez você me acusou de estar deliberadamente flertando com você (isso foi logo no começo, lembra? Quando te prometi não me apegar à falsas esperanças.), a verdade é que eu estava tão confortável dentro de mim mesma, estava tão calma na sua presença, tão feliz por ter mais esse último momento (último?) que me deixei levar pelos sentimentos e o não-pensar. Minha mão, inconscientemente, acariciava a sua, enquanto eu sentia seu perfume e erguia o rosto mais um pouco para te sentir ali perto. Foi pura inocência, esqueci de mim mesma, de onde estava...só fui guiada pelo não-pulsar pulsar do coração. Não que isso faça sentido, mas não tenho palavras para o indizível.
Amor, por favor, responda essa carta com algum motivo urgente que me faça não te abandonar. É verdade, a essa altura não há volta. Minha mente já está decidida...se pelo menos meu coração também tivesse tanta certeza...
Querido, vou ser honesta, de uma vez. Ele é rico. E eu vou casar com ele. O que eu posso fazer? Ele vai me dar a vida que eu sempre quis, vai dar a educação para os filhos que eu disse que queria ter (mas nunca vou ter, imagine meu corpo depois da gravidez!), vai dar as joias, os perfumes, os vestidos, os sapatos, a casa! Ele tem dinheiro e eu não vou precisar fazer nada que não me agrade. Existem coisas mais importantes que esse meu amor...
Pois, então...preciso dizer antes que seja tarde demais: adeus, ainda te amo.
Daquela que sempre será sua, de alma e coração irracional. "

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Proposta de texto que eu recebi do Rafa ( somesentido.blogspot.com ). Ele é brilhante, e eu adoro so textos dele, confiram, eim!
Bom, a proposta foi baseada numa exposição da Sophie Calle, chamada "Cuide de Você", em que 104 mulheres foram convidadas a interpretar um e-mail de um ex-namorado que quis terminar o relacionamento. Agora vou passar para 5 cinco pessoas a missão de escrever uma carta como essa:
Lina ( infinitemelodie.blogspot.com )
Jay ( garota88.blogspot.com )
Lucas ( louco-pensador.blogspot.com )
E, honestamente, quem mais quiser.
A verdade é que eu sempre fico na dúvida sobre quem gostaria de fazer isso, quem não quer fazer isso nunca...E, para deixar claro, adoro coisas desse jeito, ok? hahahaha

Não é a minha melhor carta de despedida, mas ela é sincera. Não me pergunte 'sincera como?' porque isso nem eu sei. Nunca escrevi uma carta de adeus para ninguém...só atráves de meus personagens para meus personagens. ^^
Beijos da Luuu!